sexta-feira, julho 25, 2008

Conclusão sobre os anticonvulsivantes e antipsicóticos.

Devido à complexidade da doença bipolar e à variabilidade de características clínicas e de curso, não há um tratamento único ou uma combinação de tratamentos que funcione em todos os pacientes. Entretanto, vários princípios gerais podem melhorar o manejo do TB como, por exemplo, monitorar o curso da doença através do afetivograma; tratar incisivamente comorbidades e efeitos colaterais; focar a psicoterapia na adesão ao tratamento; promover a psicoeducação do paciente, familiares e amigos; enfatizar a mudança de estilo de vida dirigida para a integridade circadiana e regularidade nas atividades; estar alerta para comportamentos suicidas; usar antidepressivos cautelosamente; e prescrever tratamento combinado para pacientes que não respondem à monoterapia. Entretanto, em nosso meio é crescente o número de pacientes que recebem anticonvulsivantes como tratamento de primeira escolha e pacientes nos quais a substituição do lítio se dá de forma precipitada, sem observar o possível efeito benéfico, mesmo que parcial, ou aguardar um tempo maior para avaliar a profilaxia.
As evidências de eficácia dos medicamentos na doença bipolar podem ser resumidas da seguinte maneira:4,89 o lítio possui mais evidências de eficácia profilática; lítio, antipsicóticos típicos, CBZ, valproato e antipsicóticos atípicos são eficazes no tratamento da mania aguda; CBZ, valproato e olanzapina parecem eficazes em prevenir mania, mas assim como o lítio, são menos eficazes na prevenção de depressão; na ciclagem rápida, CBZ ou valproato podem melhorar sintomas, mas somente a LTG mostrou-se capaz de diminuir a ciclagem em estudos randomizados e controlados com placebo, principalmente em bipolares de tipo II; para a depressão bipolar, lítio e olanzapina mostram eficácia modesta e a LTG possui os efeitos mais robustos. Pelo fato da mania responder bem a um medicamento e sintomas depressivos a outros, o tratamento combinado pode ser a opção. Ao prescrever tratamento combinado é fundamental monitorar a interação farmacológica, segurança na gravidez, a relação eficácia terapêutica - toxicidade, efeitos colaterais, impacto na mortalidade, assim como o custo do tratamento. Todos os estabilizadores de humor devem ser administrados em doses mais baixas quando dados em combinação, diminuindo assim o ônus dos efeitos colaterais e aumentando a adesão ao tratamento.

Fonte: MORENO et all. Anticonvulsivantes e antipsicóticos no tratamento do transtorno bipolar.Disponível em: 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-44462004000700009&script=sci_arttext&tlng=pt

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